sábado, 27 de fevereiro de 2010

O Mito de D. Juan

Quem não conhece Don Juan, ou o seu mito. Para os homens ele aparece como aquele que granjeia enorme popularidade entre mulheres, fá-las suspirar só de ouvir o seu nome, trazendo com isso intimidades sonhadas. As mulheres, por seu lado, olham para Don Juan como aquele que lhes dá carinho, que lhes fala ao ouvido palavras ternas, que as ama e as mima, mesmo que por pouco tempo, mesmo sabendo que o têm de repartir com outras, já que o estado de alma cavalheiresco e jovial não permite ser homem de uma só mulher, mesmo que elas queiram acreditar em tal.
Para descobrirmos este mito, o do homem cavalheiresco e, ao mesmo tempo, mulherengo, dedicou alguns anos da sua vida Maria Manuela Sobrinho, que culminou com um interessante trabalho que deu origem à sua tese de mestrado com o título O estereótipo no donjuanismo, sendo agora editado pela Fonte da Palavra como Dom Juan e o Donjuanismo, onde a autora se debruça sobre o estereótipo da personagem, mas estende esse estudo à literatura donjuanina em Portugal. Para isso debruçou-se sobre as obras mais representativas de autores vários como Guerra Junqueiro, António Patrício, Norberto Ávila ou José Saramago.
Os resultados acabam por surpreender. Não foi a literatura que criou o mito de Don Juan, foi ele que se apropriou da literatura. É o mito da palavra, que segundo Maria Manuela Sobrinho não é identificável com o mito literário.

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