quarta-feira, 24 de março de 2010

O caminho de Portugal e da Europa I

Recentemente estalou uma crise económica e financeira de graves proporções. Apesar de muitos apregoarem que ela chegou ao fim, o certo é que todos os dias as pessoas sentem que a crise não passou, que se instalou por alguns anos, e, o mais grave, levará muito tempo, talvez uma geração, em que os contribuintes, nomeadamente a classe média, vão pagar as consequências desta maleita criada pela ganância dos especuladores bolsistas e imobiliários.
O que no fundo aconteceu, até para que se perceba e não se voltem a cometer os mesmos erros, apesar do caminho especulativo continuar, foi que se criou um sistema idêntico ao jogo do monopólio, onde as pessoas jogavam com dinheiro que não existia. O dinheiro vivente em todo o planeta não cobria uma décima parte dos valores que circulavam, as fortunas que se acumulavam eram fictícias e um dia teria de acontecer o inevitável. As empresas e os governos entraram nessa espiral especulativa, investiram dinheiro dos contribuintes e dos accionistas, alguns até dos clientes, em fundos de duvidosa garantia.
Empresas houve que praticamente deixaram de produzir, existiam unicamente para especulação em bolsa, investimentos em papel de alta rentabilização e de risco.
Muitos governos, devido aos mesmos investimentos, entraram em colapso e ficaram muito perto da bancarrota. Alguns acabaram por mascarar a sua dívida pública, de forma a parecer aos olhos dos contribuintes, do Fundo Monetário Internacional, da União Europeia e da OCDE, como países económica e financeiramente seguros. O certo é que esta situação não se podia manter indefinidamente e um dia, se não houvesse um controle das contas públicas, acabaria por detonar-se uma situação já por si explosiva, com consequências graves para os contribuintes, nomeadamente para as classes desfavorecidas e as classes médias, aquelas que acabam sempre por ser os contribuintes líquidos e o suporte dos Estados, até porque são a maioria da população.

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